
Pode ser até _ e torço para _ que o Carlos Minc consiga fazer o que Marina Silva não fez, e agilize as licenças ambientais para projetos de desenvo,vimento ao mesmo tempo em que torna mais rígidos os controles e a prtoeção ao meio ambiente. Mas, até agora, o que conseguiu foi ficar, em Brasília, com fama de falastrão e adepto de um factóide. Anunciou um monte de projetos, mas saiu do Planalto sem garantia de Lula que teria orçamento, poder e respaldo, que disse serem pré-condições para aceitar o cargo.
Como carioca aculturado, fico chateado com a chegada do novo ministro, já derrapando na própria língua. Gosto do cara e me pareceu o tipo do sujeito capaz de dar brilho a qualquer conversa de boteco; e, quem sabe, ser um gerente do terceiro milênio, cabeça arejada, daqueles que, no vale do Silício até inventaria alguma empresa bilionária.
Mas o fato concreto, como gosta de dizer o presidente da República, é que o Minc dizia que queria mudar a legislação das licenças ambeitnais e ontem já falava que não precisava mudar lei nenhuma; disse que botaria o exército para pro0teger a floresta, e ontem já falava numa etérea Guarda nacional Ambiental; desdenhou do Managabeira Unger como coordenador do programa Amazônia Sustentável e saiu da conversa com Lula defendendo envergonhado a capacitação do professor de sotaque americano para o posto.
Falou que teria de ter orçamento, citou até as verbas contingenciadas que deveriam ir para o Meio Ambiente, e saiu comemroando uma promessa vaga de, quem sabe, uns trocados gradualmente liberados para saneamento e empresas de projetos sustentáveis. Criticou o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi e, ontem, falava que, para cuidar do meio ambiente, descrentralizará tarefas e deixará com os Estados granbde parte da função de fiscalização e controle (com vigilância para que não façam “lambanças”, advertiu, sempre performático).
A cada pergunta de repórter, Minc sacava do colete uma resposta longa e cheia de elocubrações. Se era pergunta delicada, então, corporificava uma curiosa transgenia entre o Conselheiro Acácio, do Eça, e o Rolando Lero, do Chico Anísio. O caso Magabeira foi exemplar:
_ Ministro, o Magabeira continua na coordenação do PAS?_ Eu não perguntei, mas o presidente me explicou que o ministro Magbaira é um intelectual, que há vários ministérios tratando do PAS, e que cada ministrério tem saus funções, suas especializações, e bla bla bla bla
_ Ô ministro, então o Magabeira fica, né?
_ Bom, o Mangabeira bla bla bla Amazônia, blabla sustentável bla bla
_ O Mangabeira fica, então, né ministro?
Essa última pergunta já foi lançada em perigoso tom de galhofa. O ministro que se cuide, porque se não mostrar logo ao que veio vai virar Minc de circo, me sussurrou Oliveira, o canalha da redação, divertindo-se na quinta entrevista coletiva do novo personagem da selva brasiliense.



on May 20th, 2008 at 20:35
Quem poderá fazer o Minc virar um mico de circo são vocês, jornalistas, que aliás podem fazer qualquer um virar palhaço só para satisfazer a arrogância de vocês; parece que os jornalistas escrevem uns para os outros, para ver quem parece mais engraçado, para uns copiarem as piadinhas dos outros. Informar que é bom, esclarecer que é necessário, nem de longe. Bando de inúteis. Ana Pereira
on May 20th, 2008 at 21:51
Nossa, Ana, quanto ódio no coração; algum motivo os jornalistas devem ter dado, essa raça perigosa. Os jornalistas não carregam maquiagem nem narizes de bola vermelhos entre os equipamentos profissionais; tudo o que podem fazer é chamar atenção para esses adereços, quando os entrevistados os usam. Mas não acho que seja esse o caso do Minc. É um cara bem intencionado, inteligente e malandro. Se não cair na armadilha de virar produtor de factóides para distrair a atenção dos problemas que o governo enfrenta, pode dar certo. Torço por ele.