Descubro, no recém-lançado manual ortográfico do jornal, que o velho substantivo co-herdeiro vai ser mesmo grafado como “coerdeiro”, embora o texto do acordo ortográfico cite explicitamente a forma antiga como válida. Mas o dicionário oficial da Academia Brasileira de Letras grafa coerdeiro, essa história já rende discussão desde o ano passado.
Problema para o pessoal do caderno de Legislação, único no jornal onde há chances de cair algum coerdeiro reformado.
É o hífen a grande estrela caprichosa da nova ortografia. Não à toa, o Almirante Nélson já o convocou para uma apresentação em boate noturna.
Triste eu, que sempre detestei gramática, terei de reaprender todas as regras sobre hífenização que nunca soube.



on Feb 4th, 2009 at 00:36
Consta que o coerdeiro, ao atingir a maioridade e o direito efetivo à herança, passa a caerneiro.
(eu sei, eu sei, horrível – mas o que você queria depois daquele stand-up execrável sobre o hífen?!?)
on Feb 4th, 2009 at 10:07
Pense na situação ainda mais dramática do pessoal das editorias de judiciário no caso do verbo que nos bons tempos se escrevia “ad-rogar”.
Se escreverem que algum figurão adrogou alguém, pode dar confusão.
on Feb 4th, 2009 at 13:14
Honestamente, eu achei essa reforma detestável. Há inúmeros problemas na escrita da língua portuguesa e se era para mexer, deveria ter sido levado adiante alguma reforma que simplificasse de maneira radical as coisas – valorizando mais a fonética, por exemplo, o que poderia fazer com que aberrações como o glorioso “ç” fossem extirpadas.
Agora, mexer para arranhar a superfície é pura falta do que fazer – alterar regras de hifenização é o fim da picada, afinal, estamos falando de uma coisa que poucos dominavam de fato e que agora vai ser mudado.
As perguntas que deveriam estar sendo feitas agora seriam “o que queremos para a língua portuguesa, afinal de contas?”, “a escrita de uma língua viva deve ter regras apenas ao alcance da sua elite ou deveria ser prática para ser dominada pelo seu falante médio?”, “melhor, será que os falantes médios de português conseguem dominar todas essas regras ortográficas e gramaticais?” ou “será que não era de se pensar em simplificar a escrita para torna-la mais acessível?”.
Enquanto os respeitáveis senhores da ABL e da Academia das Ciências de Lisboa ficam praticando, numa terminologia idelberiana, punhetagem intelectual, eles deveriam estar pensando em saídas práticas para os problemas de alfabetização em seus países.
Portugal, esse estandarte da civilização, o mais ocidental dos países europeus, possui apenas a 70º taxa de alfabetização do mundo. Por aqui, enquanto os imortais da ABL tomam chá de fardão, temos apenas a 90º taxa de alfabetização do mundo. Os países africanos nem se fala. Claro, isso não é culpa apenas de regras ortográficas e de regras gramaticais, mas se esses senhores fizessem o trabalho deles tendo em vista a realidade e o compromisso social, tentariam tornar as coisas mais acessíveis aos mortais comuns e facilitariam as coisas, mas sacumé, as regras do sânscrito não devem estar ao alcance de qualquer um.
on Feb 4th, 2009 at 14:52
Continuando a sessão de trocadilhos infames:
Será que o Discovery Channel vai fazer um documentário discutindo se os irmãos de Jesus devem ser chamados de coerdeiros de Deus?