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O dia das mães e os sinais dos tempos

Brasília permite que almocemos em casa e até, com sorte, dá para levar um amigo. Levei Oliveira, o canalha da redação, e, como hábito, liguei a TV para ver o Jornal Hoje. Ele não reclamou, tem paixão pela moça do tempo, a Michelle Loreto.

“Um dia vou lá e pergunto a ela se tem chance de chover na minha horta”, comenta o crápula, ao ver a moça, exuberante, com um provocante  zíper frontal em frente ao mapa de chroma key.

Oliveira não compartilha de meu apreço pelas matérias edificantes do Jornal Hoje, cínico que é. Pois defendo que é sinal de qualidade e falta de preguiça; o jornal podia se limitar, como fazem outros vespertinos, ao mundo cão das notícias de polícia. Mas vai à luta mostrando coisas fofinhas. Vale. É inspirador. E nem estou falando da Michelle Loreto.

Daria um âncora e tanto o Oliveira, âncora mesmo, de afundar o jornal. Imagino se televisionassem os comentários dele, como na matéria sobre o dia das mães, apresentada com sorriso cativante pela Sandra Anneberg. Lá pelo final, a repórter diz que o garotinho que vemos na tela deu um presente e tanto para a mãe, inesquecível. E o garotinho encerra a história, com uma declaração:

“Eu amo ela”.

“É mesmo um presente inolvidável”, resmunga o patife, mastigando uma folha de rúcula. “Não é toda mãe que ganha de presente um cacófato só para ela”.

1 Comentário on “O dia das mães e os sinais dos tempos”

  1. #1 candido
    on May 7th, 2011 at 02:11

    Na boa, se eu fosse vc aboliria as vírgulas. Para sempre.